sábado, 6 de março de 2010

Sem porque

A finalidade dessas lágrimas é torpe.
Não tem porque,
na realidade elas nem queriam existir.
Só precisavam de uma maneira de viver por entre a mentira que invade
todo e qualquer filete desse mundo.
Meu mundo.
Anda cinza.
Descolorido pela inconstância de ser e sentir
tudo que sinto sem respaldos.
Sem porque.... continuo te amando.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Limites

Nos limites é que aprendemos, isso é uma verdade quase que irrefutável. É na experiência do pior que limpamos os olhos com as lágrimas e enxergamos mais claramente tudo e todos que nos cercam.
Na verdade, verdadeira, só aprendemos mesmo com a experiência.
Não há outra forma mais definitiva de aprendizado.
Por mais que o mundo inteiro te diga algo, por mais que seus amigos tentem te transmitir diversos pontos de vista, você só aprende mesmo quando vive, quanto vivencia determinado momento.
E não adianta: vale-experiência não passa na catraca da vida.

É tudo muito doloroso, mas de fato, a experiência do limite faz milagres no way of life de todo mundo, justamente porque os limites são desconstruídos todo o tempo.
O que hoje era impossível, amanhã precisa ser verdade. Precisa ser superado.
Nessa desconstrução se constrói um caráter quase-novo, repensado e refeito pelos percalços.

Nos limites é que a gente aprende de verdade quem somos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O tempo do suposto amor

Uma pessoa para usar todos os pronomes possessivos, é essa a oferta do amor ultimamente. É uma oferta bem limitada, se o caro leitor me permite ressaltar. Na boca de meio mundo estão todas as razões para estar casado com fulano/a: inteligente, ótimo emprego, gosta de Beatles, boa dentição, perfume importado, paga a conta sempre, é hétero convicto... Ótimo, parabéns, mas não ouvimos falar da capacidade de amar, ouvimos? E sabe por quê? Porque é tão preocupante como uma epidemia ou uma catástrofe natural: nós não sabemos sentir.

Não temos a menor pista de como viver nossos sentimentos na medida do saudável. Não sabemos delimitar nossos desejos, não aprendemos a dividir coisa nenhuma. Vivemos num mundo de egoísmo sentimental, pessoas se divertem com a unilateralidade de sentimentos. Quem nunca ouviu um conhecido dizer ‘É, ele/ela me ligou, vive correndo atrás, mas eu não atender esse telefone nunquinha!’ ou a mais avassaladora de todas: ‘Ah, é bem simpático/a, mas...”? Já ouviu ou já disse isso ao menos uma vez na vida. Se não verbalizou, pensou, garanto.

Vivemos, aliás, o tempo do não-verbalizado. Refiro-me à verdade, porque a mentira, ah, essa sim, anda bem expressa nos depoimentos e twitter de casais perfeitamente felizes, que sorriem e se abraçam pras fotos mas o status ‘namorando’ não é mais que um paliativo pra manter a solidão de duas pessoas supostamente contida. As palavras se tornaram esconderijos para as promessas que não serão cumpridas, fonte pra manter as aparências e alimentar essa vida de hipocrisia.

E o mais incrível em tudo isso é que nos conformamos! Vivemos bem passivamente essa inércia do mesmo... Não ouvimos ninguém reclamar desse sistema de joguinhos e podridão, não se vê ninguém protestando contra esse mundo de permissividade e banalização do amor. Todos estão preocupados com o futuro do planeta, mas o que será do nosso coração consumista se a situação continuar progredindo sem qualquer barreira? Preocupam-se em usar ecobags e canecas, mas nunca ouvi o Jornal Nacional falar da impossibilidade de reciclar ou mesmo reutilizar suas amizades, seus amores, até porque Fátima Bernardes e William Bonner formam um casal perfeito.

Ninguém pensa em mudar sua maneira de amar. Uns até evitam o sentimento, suas reviravoltas, seus sorrisos e lágrimas. Ninguém quer tentar um caminho novo. É amedrontador, é verdade, mas ainda precisamos crer que o tempo de sentimentos mais refinados e mais bem cuidados está por vir. Mas quem disse que seria fácil?

Quando o tempo do amor chegar, quem sabe a gente se encontre por aí e possa falar as verdades que sempre guardamos, colocar em prática as loucuras que o medo nos privou? De relacionamentos entendo pouco, mas algo precisa se tornar uma verdade universal: ‘precisamos uns dos outros para sermos nós mesmos (autor desconhecido)’.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Definição máxima

Escrevi esse texto há bastante tempo,mas não consigo não me encontrar nele sempre que releio. Resolvi dividir meus extremos também...



Não adianta me oferecer um minuto da sua atenção.
Eu desejo horas de conversa fútil,
Um dia dedicado à minha pessoa.

Não adianta me oferecer sua mão.
Eu quero o braço todo, com dedos, unhas e apertos.

Não adianta me oferecer um abracinho
Eu quero ser sufocada por um abraço interminavelmente longo.
Não adianta discutir. Eu quero.

Não adianta nada me oferecer só um pedacinho,
Eu não vou aceitar.
Quero muitos kilos, todas as medidas que puder usar pra pesar meu desejo.

Não adianta tentar usar paliativos comigo.
Eu não me convenço.
Eu conheço o muito.
Eu quero tudo.

Não adianta me oferecer um beijo
Eu quero plural e falta de ar.
Mordidas e suspiros.
Economia não me alimenta.

Nem tente me oferecer só um pouquinho de você.
Cale a sua boca,
Pense muito bem no que me dizer
E se entregue completamente.
É pegar ou largar.

Não adianta tentar me suprir com meias-verdades
Ou hipocrisia
Porque eu sinto o cheiro desse tipo de atitude de longe.
Seja verdadeiro
E se prepare porque eu também vou ser.
Aqui se faz aqui se paga.
E o preço é bem caro, aviso logo.

Não adianta me enganar com eufemismos
Eu gosto mesmo é da hipérbole.

Não pense em me maltratar devagarzinho...
Manter joguinhos ridículos
Porque eu não nasci pra esses melindres.
Jogue na minha cara que meu jeito te irrita,
Ou que a maneira como eu te olho é uma afronta.
Assuma, covarde.

Não adianta me chantagear com motivos pequenos.
Eu quero mesmo é ver o circo pegando fogo.

Não tente me mudar com argumentos simples.
Quero uma discussão válida
E quem sabe uma briga bem fundamentada.
Escolha seu lado e verbalize.

Não adianta me querer bem pouquinho.
Não aceito a mediocridade do diminutivo.
É assim mesmo.

Não adianta me levar no banho-maria
Eu só vivo nos extremos.
O crime compensa.

Não adianta questionar.
Eu já fiz isso
E não vou mudar.
Aceite e aproveite.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Let it be

Não apareça mais aqui, por favor.
Tire seu rosto da minha memória
E me faça esquecer o que nunca aconteceu.
Me deixe esquecer o formato do seu sorriso,
A maneira como fecha os olhos quando sorri
Ou a maneira como ri das minhas piadas inócuas.
Me deixe parar de sonhar com você,
Com nosso encontro que nunca teve lugar nesse emaranhado de coisas não-concretas.
Me permita viver sem te querer.
Isso é uma súplica.
Me abandone dessa tristeza do que eu não posso ter.
Me prenda nesse quarto
Que seria perfeito pra nós dois.
Me mantenha nesse ar de previsibilidade e monotonia.
Não me deixe querer sentir seu cheiro bem de perto.
Não me dê espaço pra te amar.
Nunca acaba bem.
Me tranque dentro dessa eufórica melancolia
E aqui eu ficarei
Sem te esperar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Em silêncio

Hoje é um dia de silêncio em meu coração.
A noite foi turbulenta. As memórias sacudiram minha mente,
As semi-memórias macularam meu descanso,
O irrealizável maltratou minha segunda-feira.
Hoje é um dia de tristeza.
Quero dar nome às lágrimas,
abandonar qualquer filete de felicidade
e falar bem baixinho.
Hoje é um dia pra ser sozinha,
pra reutilizar esse vazio de coisa nenhuma.
Hoje é um dia para sofrer
esse desafio da espera.

Sem álibes.
Sem motivos muito claros,
mas todos tão justificáveis.
Hoje é um dia nublado no meu coração.
Nem tempestade, nem sol, apenas nublado.
Pouco demais.
Não cura nem mata.
Hoje é um dia de músicas sussurradas,
angústia
e cigarro, se eu fumasse.
Hoje é um dia sufocante.
As mágoas dos últimos tempos estão se organizando
pra tomar minha fé.
Hoje é um dia de quietude;
silenciar,
pra quem sabe entender.
Ouvir apenas... pra continuar vivendo.
Hoje é um dia de poesia...
a mais triste que puder ler.
Hoje é dia de soluços contidos.
Dia de pensar a verdade sobre si mesmo
e apenas chorar. (não há outra opção)
Hoje a palavra melancolia é pequena demais
pra conter tantos significados supostamente ocultos.
Hoje nem o uso de primeira pessoa consola.
Hoje é um dia de olhos fechados
e stand by.
Hoje nem a súplica é suficiente.
Hoje é um dia de nadas.
Hoje é um dia pra esquecer.

Cala essa dor dos silêncios do meu coração...
Não quero mais.






Você que já não diz pra mim
As coisas que eu preciso ouvir
Você que até hoje eu não esqueci
Você que eu tento me enganar
Dizendo que tudo passou
Na realidade é que em mim você ficou

Você que eu não encontro mais
Os beijos que já não lhe dou
Fui tanto pra você e hoje nada sou.

(Roberto Carlos)

domingo, 8 de novembro de 2009

Nothing

Não preciso de desculpas para me conter.
Não preciso de motivos reais e plausíveis para escrever, essa verborragia me persegue a tormenta,
maltrata e acalenta.
Não preciso de olhares vazios de sentido ou ligações baseadas em desejos pouco úteis pra me sentir bem no final da noite.
Não preciso de consolo porque o que sinto vai bem além de tudo que eu posso explicar.
Meu lirismo é romântico.
Saúda aqui a melancolia que definitivamente me cabe,
Toca a solidão que eu mesma... preciso entender.
Não preciso dessa música tocando tão alta,
esse catalizador de sentimentos.
Eu sinto sempre e tanto.
Esgoto as possibilidades da primeira pessoa,
exagero o exagero de qualquer coisa.
Não preciso entender essa ausência do que não existe,
estou esmurrando meu teclado preto
em busca de supostas respostas que não vão acalmar meu espírito em nenhum sentido.
Não preciso de pessoas novas,
festas movidas a futilidades
ou beijos sem porque.
Preciso de qualquer coisa
que não pertença à esse ciclo de mágoas e déjà vu.


Nada, não é nada não...
Não me pergunte porque eu não estou.

Sempre nadas
me atormentando